segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Lagomorfo

Por mais que ele esperase ou por mais que rezasse, nada iria mudar.E esse nada é tudo.Tudo o que ele mais sofria.Aborrecia.Doía.
E todo esse tudo era pouco.Ele sofria por pouco.
Seu orgulho não conehcia a verdadeir razão, o motivo do tudo.E não sabia cortar as raízes para o tudo virar pouco.
E menos que pouco é o fim,o nada, o vazio.É a morte.
Por mais que ele esperasse ou por mais que rezasse o vago demorava.
Não acostumara com a lerdeza que sua vida se tornara.O vaho já era mais que a vida.
Longe também.E a sua coragem, pouca.Não sei se coragem, mas era ruim ter pouco disso.
Ali já era muito, muito.Era preciso lutar, se manter vivo na gaiola, mesmo se pequenas coisas moressem dentro de seus ossos.Mesmo se o relógio parasse.
Seus olhos vermelhos dilatavam o desejo.Suportável e inquieto.Puxava suas patas, tão desejadas...
Temia pela memória.Também não queria lembrar.O ruído lhe arrepiava e mais.O passado era pior que o sepulto, mas pululava nas cores da janela ao fechar os olhos.Lembrar ardia.
Ardia seu pêlo , seu pescoço cinza, de pêlo cinza que um dia fora belo.
O belo!Foi o belo que o fez desistir da vitória, afinal, tantas coisas belas ele aidna via.Vivia só de ver, de observar.Observava como um inseto.
Se fosse um inseto se libertaria da fétida gaiola.Dois enferrujados.Feios.
O desejo que ainda pulsava era pelas coisas feias.O feio desejava, urrava, era.
Era o relógio que nunca se calava, era o correio cheio, o estômago vazio, a voz da tv.
Sim, eu desligo.
E podia desligar também isso.Tudo podia ser desligado, assim, eternamente, em um toque, em um botão vermelho.